quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Epidemias Famosas no Brasil e no Mundo


    EPIDEMIAS FAMOSAS

A doenças de plantas sempre estiveram presentes, de modo equilibrado, desde a antiguidade, mas devido à demanda no consumo alimentar e também como moeda de troca, a agricultura começou a ter um aspecto comercial e a partir de então a severidade das doenças cresceram, tendo em vista a quebra do equilíbrio biológico. Plantas epatógenos mantém equilíbrio na natureza e segue a teoria de Charles Darwin, no qual permanece os mais resistentes e desaparecem os mais susceptíveis. Ao longo dos anos, devido a busca cada vez maior por produtividade de culturas de interesse econômico, iniciou-se a busca por variedades mais produtivas e esquecendo-se da resistência das plantas às doenças, motivo este que ocasionou verdadeiros colapsos na agricultura brasileira e mundial.
Entretanto, estas epidemias são assuntos que caem no Concurso do MAPA e um breve resumo destas pragas estão a seguir, abrangendo as que mais são conhecidas no mundo e no Brasil.

      MUNDIAIS

Requeima da batata - Causada pelo fungo Phytophthora infestans, esta doença ocasionou enorme prejuízo econômico, pois a batata era a base da alimentação na Europa Acidental, sendo a Irlanda e a Inglaterra os países mais afetado por esta patologia.


Míldio da videira - Causado pelo fungo Plasmopara viticola, o míldio foi levado à França por meio de mudas importadas da América e chegando na Europa as videiras susceptíveis e com condições ambientais favoráveis, levaram a índices alarmantes, no qual a França, onde o vinho era um dos mais importantes produtos comerciais, foi gravemente afetada.



Helmintosporiose do Arroz - Causado pelo fungo Helminthosporium oryzae, hoje denominado Bipolaris oryzae, dizimaram plantações na Índia, fato ocorrido durante a segunda guerra mundial, além das condições favoráveis e susceptibilidade do arrroz, os problemas políticos decorrente da ocupação japonesa da Ásia e o desinteresse da Inglaterra pelas colônias, intensificaram os problemas alimentares.




      NO BRASIL

Mosaico da cana-de-açúcar – Causado por vírus que provavelmente foi trazido da Argentina, onde a maioria das variedades da época era a Saccharum officinarum, que devido a sua alta sucetibilidade favoreceu a disseminação do vírus nos canaviais, gerando u queda brusca na produção de etanol, problema este sanado somente com a introdução das variedades resistentes ao vírus.



Complexo de doenças dos citros - Em 1940, cerca de 80% das plantas cítricas do Estado de São Paulo eram variedades comerciais, principalmente laranjas doces (Citrus sinensis) enxertadas sobre laranjas azedas (Citrus aurantium), pois esta era resistente à gomose dos citros, causada pelo fungo Phytophthora spp. Nessa época ocorreu uma virose chamada tristeza dos citros, cujo vírus e transmitido por pulgões e se dissemina rapidamente. Em 1946, a doença havia causado a morte de aproximadamente 6 milhões de plantas cítricas. Devido à ocorrência da tristeza, a laranja azeda foi substituída por outros porta- enxertos, como o limão cravo, com resistência razoável à gomose e tolerância à tristeza. No entanto, em torno de 1955, ocorreu uma nova doença em plantas enxertadas em limão cravo, denominada exocorte, causada por um organismo chamado viróide. Esta doença destruiu muitos plantios, mas como a transmissão era feita apenas por enxertia, o emprego de borbulhas oriundas de plantas sadias a controlou efetivamente. Em 1957, foram descobertos focos de cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas campestris pv. citri. A erradicação de plantas doentes foi a opção de controle adotada, o que resultou, somente no oeste do Estado de São Paulo, na destruição de 2 milhões de árvores entre 1957 e 1979, sem o alcance do sucesso esperado.

Murcha do algodoeiro – Causada pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. Vasinfectum, no qual proporcionou busca de variedades resistentes e com qualidades agronômicas altamente produtivas, este estudo resultou nas variedades IACRM3 e IACRM4.




Mal do Panamá - Também ocasionado por fungo, Fusarium oxysporum f.sp. Cubense, foi constatada no Brasil no ano de 1920, sendo a banana-maçã a mais afetada, devido a sua alta suscetibilidade, chegando a desaparecer do estado de São Paulo e substituídas pelas variedades que eram resistentes, no caso a nanica e o nanicão.



Ferrugem do cafeeiro – Causada pelo fungo Hemileia vastatrix, a ferrugem era temida no Brasil e na década de 70 foi observado primeiro foco em Itabuna na Bahia. A primeira medida a ser instruída foi a erradicação de todos os cafezais afetados, mas como não ocorreu como planejado, iniciou-se a busca por tratamento químico e descobriu-se que os fungicidas cúpricos revelaram-se mais eficientes no combate a ferrugem e atualmente já existem variedades resistentes ao patógeno encontrado no Brasil.



Mal das folhas da seringueira
Até o início do século X, Brasil e Peru eram os únicos produtores de borracha natural a nível mundial. A produção era obtida diretamente da floresta amazônica, local de origem da seringueira, a partir de árvores que cresciam naturalmente na selva. Até 1912, o Brasil detinha a posição de maior produtor e exportador, enquanto em 1957 éramos importadores de borracha, situação mantida até hoje, quando cerca de 75% de nossas necessidades vêm do exterior, principalmente do sudeste asiático (Malásia, Tailândia e Indonésia). A aventura da borracha no sudeste asiático começou em 1876, quando o botânico inglês Wickham coletou sementes de Hevea no Pará e enviou-as para Londres. Mudas originárias destas sementes foram remetidas para o Ceilão (atual Sri Lanka), de onde se espalharam pelos países vizinhos. Animados com o sucesso inglês no sudeste asiático, os americanos da poderosa Ford Motor Company decidiram estabelecer plantações de seringueira no Brasil, próximo a Santarém, às margens do rio Tapajós. Em 1928, 4.0 ha já haviam sido plantados, em grande parte com material botânico proveniente da Ásia. Entretanto, o ataque do fungo Microcyclus ulei foi tão intenso que os seringais foram abandonados em 1934.
Um novo projeto foi inciado pela Ford no mesmo ano, alguns quilômetros rio acima. Em 1942, 6.478 ha haviam sido plantas com clones asiáticos de alta produtividade. No ano seguinte, M. ulei atacou novamente, devastando as plantações e levando ao abandono do projeto dois anos depois. Os motivos para o fracasso na exploração da seringueira em plantios efetuados na região amazônica são inúmeros, entretanto, o principal motivo para o sucesso no sudeste asiático é a não ocorrência do mal das folhas naquela região.



Vassoura-de-bruxa do cacaueiro – Causado pelo fungo Crinipellis perniciosa, este que originário da Região Amazônica, foi constatada sua presença na Bahia, maior produtor de Cacau no Brasil, no ano de 1989, que além do problema econômico a doença ocasionou êxodo rural e desemprego.



Estes exemplos que aqui trouxemos, são todos prejudiciais para a agricultura do mundo e do Brasil, por isso a importância da prevenção de doenças já existentes em nosso país, assim como pragas exóticas que poderão vir a afetar a agricultura brasileira, organismos estes, conhecidos como pragas quarentenárias, no qual já falamos delas em outro post, sugerimos a leitura do artigo PragasQuarentenárias.


Fonte: MICHEREFF, S.J. Fundamentos de Fitopatologia.

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